NOTÍCIAS ANPC

30 / 10 / 2018

ANPC alerta para aumento do nível de risco da Peste Suína Africana

O avanço da Peste Suína Africana (PSA) na Europa está cada vez mais ameaçador, soando alertas em todos os países para o aumento do nível de risco desta epidemia, que já soma mais de 4 mil casos detetados na Europa só no último ano. O caso mais recente na Bélgica teve contornos semelhantes ao caso que já havia ocorrido na República Checa, devendo-se nestes casos a progressão da doença à ação humana e não à transmissão entre animais.

Tudo indica que estes novos focos de infeção resultaram do transporte de produtos cárnicos infetados, cujos restos acabaram ingeridos por javalis, nos jardins de um hospital (no caso da República Checa) e nas imediações de uma estação de serviço (na Bélgica). Um simples produto com carne infetada fez com que a doença desse um “salto” de 2000 Km, no que concerne ao último caso verificado na Bélgica. Isto é gravíssimo quando estamos a falar de casos detetados em 12 países europeus (Hungria, Polónia, República Checa, Roménia, Rússia, Moldávia, Ucrânia, Lituânia, Letónia, Estónia, Itália e, agora, Bélgica) e de uma epidemia que está a atingir velocidades de propagação extremas, com milhões de euros em prejuízos, para os Estados e suinicultores.

Para evitar uma verdadeira calamidade com a chegada da doença a Portugal, cabe-nos a nós, aos proprietários rurais, gestores cinegéticos e produtores agropecuários, estarmos atentos aos sinais de infeção e seguirmos as indicações da DGAV, sob pena de pôr em causa o setor suinícola, o setor da caça e o comércio de carne de suínos. O risco ganha ainda maiores proporções se tivermos em consideração o estado atual das populações de javalis em território nacional, extremamente abundantes, o que significa que a doença, ao chegar a território nacional, facilmente seria transmitida entre animais.

Daí a enorme importância de um alerta imediato no caso de serem encontrados javalis mortos, sem causa conhecida.

A PSA é altamente contagiosa e é causada por um vírus, que afeta tanto suínos domésticos como selvagens, através do contacto entre animais (doentes ou mortos), assim como de alimentos ou materiais contaminados. Os sinais da doença surgem entre 33 a 15 dias após a infeção e traduzem-se em febres altas e apatia, vómitos, diarreia e abortos, vermelhidão na pele (orelhas, patas e barrigas). A doença resulta na morte dos animais infetados entre 6 e 13 dias.

Assim que se detetam sinais da PSA ou mortalidade anormal de javalis ou porcos domésticos é urgente contactar os serviços da DGAV ou do ICNF (213 239 500).

A vigilância é palavra de ordem assim como uma série de medidas preventivas:

  • Limpeza e desinfeção do vestuário, calçado e equipamento de caça
  • Não transportar carne, produtos à base de carne ou troféus da zona infetada para uma zona livre de PSA
  • Não contatar com suínos domésticos após manipular javalis, sem antes adotar todos os procedimentos de limpeza e desinfeção

Importa ainda destacar as seguintes medidas de biossegurança, recomendadas pela DGAV:

  • Eviscerar os animais nos locais apropriados, procedendo em seguida à sua limpeza e desinfeção
  • Não abandonar as vísceras no local e garantir o seu correto encaminhamento: enterramento em local apropriado e a profundidade suficiente para impedir a remoção por animais e coberto com desinfetante, seguindo de camada de pelo menos um metro de terra (cal viva ou outro), encaminhamento para unidade de transformação de subprodutos de categoria 1 e 2 ou encaminhamento para campos de alimentação de aves necrófagas licenciados.
  • Identificar as carcaças de animais abatidos com o selo oficial do ICNF
  • Promover o exame inicial ou a inspeção sanitária dos animais abatidos

Todas estas informações e outras adicionais pode ser consultadas num documento oficial da DGAV e no Portal DGAV – Peste Suína Africana.

É imperativo estarmos atentos, vigilantes e informados, uma vez que caçadores e gestores cinegéticos constituímos a primeira linha de defesa e alerta contra esta terrível epidemia.

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